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Projeto on-line contra o abuso sexual infantil será lançado amanhã (24)

 Juíza Hertha Helena de Oliveira, coordenadora do projeto Eu Tenho Voz na Rede, diz que é preciso coibir o abuso por meio de informação e sensibilização

POR AMANHECER DA NOTICIAS

 O Instituto Paulista de Magistrados (IPAM) lançará o Projeto Eu Tenho Voz na Rede, idealizado e coordenado pela juíza Hertha Helena Rollemberg Padilha de Oliveira, 2ª vice-presidente do Instituto, com o objetivo de prevenir e combater o abuso sexual de crianças e adolescentes por meio de informação e sensibilização.


A iniciativa, que já é realizada de forma presencial desde 2016, agora terá uma versão totalmente on-line, com maior abrangência e alcance. A live de lançamento acontecerá às 19 horas por meio do canal You Tube e terá a participação de profissionais especializados no acolhimento de crianças e adolescentes, como magistrados, promotores públicos, assistentes sociais, educadores, psicólogos e advogados, alem de colaboradores do projeto e da imprensa.


O projeto Eu Tenho Voz foi criado para levar informação e sensibilizar crianças e adolescentes sobre a violência e o abuso sexual, e ao mesmo tempo capacitar para lidar com o problema os professores e educadores das escolas do Ensino Fundamental I e II e dos centros comunitários da Capital e de cidades do Interior do Estado de São Paulo, sendo que nesse ano a iniciativa será estendida também para Curitiba (PR).


Os estudantes têm contato com o tema no seu principal reduto de confiança e segurança depois dos próprios lares, que são as escolas. Por meio da apresentação da peça "Marcas da Infância", criada pela Cia NarrAr Histórias Teatralizadas, o projeto procura mostrar que a voz das vitimas é sua maior defesa contra o abuso sexual, e que há sempre alguém em que elas podem confiar.


A juíza Hertha Helena de Oliveira diz que, quando o projeto foi criado de forma presencial, crianças começaram a fazer denúncias desde a primeira apresentação. "Os alunos assistem à peça sempre acompanhados por seus professores e por um juiz, nunca sozinhos. E nem sempre fazem a denúncia naquele momento. Geralmente eles procuram depois um professor de confiança para contar a violência de que são vítimas".


Ela explica que com a pandemia essas crianças ficaram enclausuradas dentro de casa com seus próprios agressores. "Por isso resolvemos criar a versão digital do projeto, porque esse trabalho de prevenção e sensibilização dos jovens precisa continuar e ser cada vez mais intensificado, já que os números da violência sexual contra crianças e adolescentes não param de subir", afirma a magistrada.


A nova versão da peça "Marcas da Infância" mostrará por meio de narrativas como as vítimas de abuso sexual podem utilizar o poder de sua voz para pedir ajuda. São quatro vídeos especialmente produzidos que representam casos de crianças, tanto do sexo feminino quanto do masculino, que nos cinco anos de existência do projeto fizeram denúncias e deixaram de sofrer abusos sexuais.


Durante a live de lançamento do projeto on-line, a juíza Hertha Helena apresentará dados sobre a violência contra crianças e adolescentes no país. "Os números apontam que 87% dos casos de violência é contra crianças, sendo que 9 mil casos são contra crianças de até 10 anos e 14 mil contra adolescentes, segundo dados de 2017 do Boletim Epidemiológico 27, da Secretaria da Saúde. Dados de 2019, mostrados no Fórum Nacional de Segurança, mostram que 66.041 casos de abuso sexual foram contra crianças e adolescentes. E quais são os locais mais perigosos para as crianças sofrerem o abuso? 26,85% em suas próprias residências e 24,85% na internet. Se esses números já eram aterrorizantes em 2019, imagina em 2020 com a pandemia?", questiona.


Outro dado relevante que a magistrada irá detalhar é que a escola é o local que oferece às crianças e adolescentes melhores condições de denunciar os abusos. Por essa razão, o IPAM criou o curso "Métodos Consensuais de Solução de Conflitos", que será apresentado totalmente on-line para capacitar os professores e educadores que lidam com esses jovens. "O papel do professor não é investigar o problema do aluno que sofre o abuso, mas saber acolher e direcionar a denúncia para a autoridade competente e mostrar as ferramentas que os jovens podem usar para saber se estão sendo assediados. Por essa razão o papel do educador é fundamental para contermos esses números crescentes de violência contra os nossos jovens", conclui a juíza.


Sobre o IPAM - O Instituto Paulista de Magistrados é uma associação civil de cunho científico e cultural, sem finalidade lucrativa, idealizada para valorizar o Poder Judiciário e a Magistratura. Foi fundado em 8 dezembro de 1999, por 21 juízes de primeiro grau, com o objetivo de defender as prerrogativas e a dignidade dos magistrados e propor demandas coletivas na defesa desses interesses. Está sediado na cidade de São Paulo e conta atualmente com mais de 1 mil associados, entre membros titulares, colaboradores e honorários. Desenvolve estudos dos direitos internos e internacionais, promove pesquisas, incentiva projetos sociais e edita livros e revistas que favoreçam a divulgação da ciência jurídica e da cultura em geral. Mantém uma biblioteca com material específico relacionado ao Poder Judiciário; realiza eventos e debates sobre temas relacionados à magistratura e projetos em parceria com outras instituições visando fortalecer a sociedade e esclarecer informações sobre a posição e as atribuições dos profissionais do Judiciário, além de promover cursos de capacitação e aperfeiçoamento profissional.

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