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Mudanças no ciclo circadiano favorecem ganho de peso por induzir variação hormonal

 Tanto situações externas como ir muito a baladas, trabalhar em plantões noturnos ou ter dificuldade para dormir por conta de um filho recém-nascido, quanto genéticas estão envolvidas em mudança no ciclo vigília e sono, com consequências no aumento de peso e obesidade

POR AMANHECER DA NOTICIAS

O papel do sono (e do horário em que se dorme) na saúde metabólica das pessoas vem sendo objeto de estudo há anos, mas acredite: para muitas pessoas a quebra desse padrão normal do ciclo vigília e sono resulta invariavelmente em um ganho de peso e problemas fisiológicos. “O termo cronodisrupção é muito importante e é uma alteração do padrão normal. Existem diversas consequências por causa da quebra desse ritmo do nosso ciclo cicardiano, que levam a várias alterações fisiológicas e metabólicas e está relacionado a vários distúrbios e doenças; quando há uma grave perturbação da ordem temporal bioquímica, fisiológica e dos ritmos circadianos comportamentais, isso mexe também com a expressão de alguns genes que regulam nossas vias metabólicas e nossos hormônios”, afirma o geneticista Dr. Marcelo Sady, Pós-Doutor em Genética e diretor geral Multigene. “Muitos pacientes que enfrentam mudanças nesse ciclo não conseguem seguir um plano alimentar, têm maior carga de estresse e impulsos alimentares”, completa a Dra. Marcella Garcez, médica nutróloga e diretora da Associação Brasileira de Nutrologia.


            De acordo com o geneticista, genes que regulam nosso ciclo circadiano são capazes de definir até quando nós devemos nos alimentar para influenciar o resultado do emagrecimento. “Nosso organismo possui um relógio biológico que faz com que nosso metabolismo atue de formas diferentes em cada momento do dia. Logo, os alimentos são processados de modos distintos dependendo do horário em que os consumimos. Por isso, os horários das refeições possuem grande influência em nossa saúde, no ganho e perda de peso e no risco do desenvolvimento de condições como diabetes e doenças cardiovasculares”, completa a Dra. Marcella Garcez. “Essas mudanças no ciclo circadiano estão associadas à expressão e produção de hormônios como cortisol, leptina e adiponectina, relacionados à obesidade e que demonstram ritmicidade circadiana”, afirma o geneticista. 


            Segundo a especialista, isso ocorre porque nossos hábitos alimentares são influenciados pelo relógio central do cérebro, que é controlado pela passagem do dia para a noite e é responsável por nos manter acordados durante o dia e dormir bem à noite, e pelo relógio periférico do corpo, responsável por regular a produção de enzimas que auxiliam na digestão e, logo, regulado pela alimentação. “O ideal é que ambos os relógios estejam sincronizados, já que o nosso organismo realiza um regime cuidadoso de processos metabólicos para se manter em equilíbrio. Por exemplo, duas horas antes do horário que costumamos dormir o relógio central do cérebro passa a estimular a produção de melatonina, hormônio responsável por regular os ciclos do sono. Logo, quando comemos algo próximo desse horário, nossos relógios entram em contradição, o que pode causar um desequilíbrio do organismo”, afirma a especialista.


            Existem diversas situações externas e internas (genéticas) que podem contribuir para essa cronodisrupção. “Situações externas como o jet lag (distúrbio temporário do sono devido a mudança de fuso horário), plantões noturnos três ou quatro vezes por semana dificultam a perda de peso e atrapalham o sono. Chegar em casa e passar o dia inteiro dormindo não vai compensar essa noite mal dormida. Mesmo quando pensamos em termos de festas noturnas e baladas, apesar do prazer, isso tem um custo. Tudo isso vai prejudicar a saúde e acelerar o processo de envelhecimento também, se for algo constante”, diz o geneticista. Noites mal dormidas também são comuns para pais que têm filhos recém-nascidos, que acordam constantemente chorando durante a noite. “Isso acaba comprometendo o ciclo circadiano e favorecendo a cronodisrupção”, afirma o Dr. Marcelo.


          Com relação a situações internas, isso está associado aos nossos genes. “Existe na literatura a observação de que algumas mutações em camundongos e ratos levam à cronodisrupção, mas em seres humanos essas mutações são mais raras e estão muito mais associadas a variantes genéticas, a alelos que comprometem a eficiência e a expressão de proteínas e enzimas que atuam no ciclo circadiano. Muitas vezes elas podem contribuir para alterações comportamentais e aumentar o risco de obesidade”, diz o geneticista.


Existem vários genes ligados ao problema, como o BMAL1 e CLOCK, que são os mais famosos. “Quando pensamos no gene CLOCK, variantes genéticas desse gene têm sido associadas a um maior IMC (Índice de Massa Corporal), maior ingestão de gordura, menor gasto energético e maior risco de obesidade”, diz o especialista. Ainda com relação a esse gene, uma variante genética dele faz com que pacientes tenham tendência a dormir menos e apresentarem dificuldade em aderir a dieta do mediterrâneo – a dieta que apresentam diversas vantagens. Recomendações: dormir no mínimo 8 horas, levantar cedo, dormir cedo, seguir a dieta do mediterrâneo, baseado no consumo de alimentos frescos e naturais. “Dentro desse grupo, ainda existem os ‘comedores emocionais’, que são pacientes que precisam ter um forte plano de acompanhamento durante a dieta, o que requer uma interação maior com o médico ou nutricionista, e limite maior no consumo de gordura saturada”, diz o Dr. Marcelo.


            Uma variação no gene Rev-Erba, por exemplo, está associada à obesidade, devido à diminuição da atividade física ou atividade física realizada em períodos não adequados a esse paciente. “Para eles, é necessário aumentar o tempo e a intensidade da atividade física, e realizá-la no período da manhã. Ele responderá melhor nesse período para a perda de peso”, diz o geneticista.


            No caso de pacientes com variações genéticas que dificultem a sensação de saciedade, a recomendação é fracionar as refeições, com um período de três horas entre elas. “Manter uma rotina alimentar, procurando comer sempre no mesmo horário, é extremamente benéfico, pois aumenta a sensação de saciedade, melhora a reação do organismo à ingestão de calorias e ainda acelera o metabolismo, contribuindo para a manutenção e perda de peso”, ressalta a Dra. Marcella. No geral, recomenda-se realizar de cinco a seis refeições por dia com um intervalo de 3 horas, em média, entre cada uma delas, tentando realizá-las sempre no mesmo horário. “Ao contrário do que se pensa, para muitos, os lanches são importantes para uma dieta saudável e controle do peso, pois enquanto as três refeições principais fornecem os nutrientes fundamentais para as funções vitais do organismos e a energia para as atividades diárias, os lanches auxiliam no controle da glicemia e do apetite, impedindo problemas como aumento da reserva de gordura, redução do metabolismo, degradação muscular e picos glicêmicos”, diz a Dra. Marcella.


            Por fim, o Dr. Marcelo ressalta a importância do exame genético para alinhar a dieta a fim de conquistar os objetivos. “De posse dessas informações, o exame genético permitirá que você se conheça melhor e, com ajuda do seu médico, que você evite ou restrinja alguns tipos de alimentos”, finaliza o geneticista.


FONTES:


*DR. MARCELO SADY: Pós-doutor em genética com foco em genética toxicológica e humana pela UNESP- Botucatu, o Dr. Marcelo Sady possui mais de 20 anos de experiência na área. Speaker, diretor Geral e Consultor Científico da Multigene, empresa especializada em análise genética e exames de genotipagem, o especialista é professor, orientador e palestrante. Autor de diversos artigos e trabalhos científicos publicados em periódicos especializados, o Dr. Marcelo Sady fez parte do Grupo de Pesquisa Toxigenômica e Nutrigenômica da FMB – Botucatu, além de coordenar e ministrar 19 cursos da Multigene nas áreas de genética toxicológica, genômica, biologia molecular, farmacogenômica e nutrigenômica.


*DRA. MARCELLA GARCEZ: Médica Nutróloga, Mestre em Ciências da Saúde pela Escola de Medicina da PUCPR, Diretora da Associação Brasileira de Nutrologia e Docente do Curso Nacional de Nutrologia da ABRAN. A médica é Membro da Câmara Técnica de Nutrologia do CRMPR, Coordenadora da Liga Acadêmica de Nutrologia do Paraná e Pesquisadora em Suplementos Alimentares no Serviço de Nutrologia do Hospital do Servidor Público de São Paulo.

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