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Programa é lançado no Brasil propondo a prática de meditação no currículo escolar, em conjunto com o ensino socioemocional

A tendência é que, assim como a aprendizagem socioemocional integrou a BNCC, a prática de meditação também se torne parte da grade das escolas brasileiras", afirma especialista que traz o programa para o Brasil


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Luca tem 6 anos e está arredio para participar dos encontros virtuais da escola. No último deles, ao ser perguntado como se sentia, chegou a dizer que não queria ver os amigos online e sim de perto. Filho e mãe se emocionaram em frente ao computador. No dia a dia, comportamentos de euforia deram lugar a um pouco de agressividade nas palavras, ou em gestos, para seguir a nova rotina da casa. A mãe, Patrícia Franck (37), conta que não há uma tristeza explícita, mas compreende o turbilhão de emoções do pequeno quando precisa sair de casa e Luca chora para que fique junto a ele. Para o momento de retomada às aulas, Patrícia anseia por um olhar diferente da escola para acolher os alunos.

"Eles estarão felizes em voltar, mas acho que esse é o momento de aprenderem outras coisas, não só o conteúdo previsto para o ensino, e sim sobre paciência, resiliência, algo que os ajude a entender o que tudo significou e como isso pode ser convertido para algo melhor. É claro que a gente procura trabalhar isso dentro de casa, mas as escolas terão dificuldade de se adaptar também. Será bom para todo mundo e não só para agora, mas para a vida inteira", afirma.

Para Débora Schäffer, responsável pelo Programa Soul, temos pela frente um desafio sem precedentes para a educação quando acontecer o retorno dos alunos às salas de aulas. "Cada um retornará com uma carga emocional diferente, em um reencontro com sentimentos potencializados. A partir de agora, a educação não pode ser a mesma, precisamos incorporar competências novas no currículo", enfatiza.

Débora fala no momento no qual traz para o Brasil a proposta de incorporar ao currículo escolar dois programas: o Soul Socioemocional, a versão brasileira do programa educacional Second Step, da ONG norte-americana Committee for Children, referência mundial no conceito de aprendizagem socioemocional, e o Soul Mind, uma metodologia de ensino de práticas de meditação, para ser parte da grade escolar. "Os programas são independentes e endereçam assuntos diferentes, mas foram criados de tal forma que, juntos, atendem às principais demandas de desenvolvimento que vemos hoje em dia: a Social: que contempla os relacionamentos e a forma como as crianças se colocam no mundo, e o Individual: focada no autodesenvolvimento e na capacidade de autogestão, tanto da atenção quanto das próprias emoções."

Quais os sentimentos quero acolher?

Focado no aspecto individual, o Soul Mind traz um conteúdo inspirado no programa internacional Cultivating Emotional Balance, que fornece um referencial sobre práticas que favorecem o cultivo do equilíbrio em uma metodologia inédita: um programa de meditação sequencial e progressivo, criado para alunos do ensino Infantil, Fundamental e Médio.

A coordenadora alerta que a iniciativa não pode ser interpretada como de uma meditação tradicional, muito menos de relaxamento. "É um trabalho de desenvolvimento humano contínuo, que fortalece, aula a aula, uma postura mais presente, focada, consciente e positiva na vida do aluno. Muito se fala dos benefícios da meditação para o bem-estar, mas ainda não existe no Brasil um programa estruturado desenvolvido para o ambiente escolar para propiciar um impacto acadêmico e influenciar positivamente também pais e professores", explica Débora.

No conteúdo, os alunos são convidados a refletir sobre a forma como compreendem o mundo e a realidade ao seu redor, entendendo como a sua percepção afeta sua experiência de vida. Cada módulo possui aulas expositivas e práticas guiadas de meditação que trabalham atenção plena ao ambiente, ao corpo, à respiração, aos pensamentos, às emoções, entre outros. Os alunos também são incentivados a cultivar motivações genuínas, como aumentar sua experiência de felicidade e a dos outros ao seu redor. Uma das práticas propostas é a identificação de quais as emoções são percebidas durante uma reflexão, e quais delas podem ser aceitas, acolhidas ou liberadas. "O intuito é promover a percepção de que não somos uma determinada emoção ou pensamento. Podemos escolher quais queremos para a nossa vida", destaca.

Do ensino Infantil ao 1º ano do Fundamental, as aulas são rápidas e lúdicas, diariamente ou na periodicidade que a escola considerar apropriada, com ao menos três aulas na semana. A partir do 2° ano do Fundamental até o 3º ano do ensino Médio, os alunos passam a ter uma prática guiada de meditação diária, bem como uma aula semanal conduzida pelo professor.

"Nos últimos anos, temos percebido o reconhecimento da ciência da meditação pela comunidade educacional. A tendência é que assim como a aprendizagem socioemocional integrou a BNCC, a prática de meditação também se torne a prática de meditação também se torne parte do currículo escolar", completa.

Assumindo perspectivas diferentes das suas

Sendo a versão brasileira do programa Second Step, que está presente em escolas de 70 países, entre Finlândia, Noruega e Estados Unidos, com aproximadamente 15 milhões de crianças atendidas, o Soul Socioemocional trabalha por meio de um conteúdo didático temas como ‘entender os próprios sentimentos’, ‘assumir perspectivas diferentes das suas’, ‘demonstrar compaixão’, além de ‘resolver conflitos de forma segura e respeitosa’.

A profundidade e a complexidade dos temas, que são lecionados pelos próprios professores em sala de aula para alunos do ensino Infantil e Fundamental I, mudam de acordo com a idade dos alunos. Para o ensino infantil, dar nomes aos sentimentos e conversar sobre maneiras justas de brincar estão entre as atividades. Já para os maiores, a ênfase será em como lidar com a pressão, evitar suposições, ou discordar respeitosamente. Atividades também são levadas para casa para a inserção dos pais e cuidadores nas abordagens.

"Nós propomos uma mudança de paradigma de nossa educação tradicional, que sempre foi focada no fazer e não necessariamente no ser. Com esses programas nós organizamos os conteúdos que acreditamos serem essenciais para formar seres humanos motivados a expressarem suas melhores versões no mundo", enfatiza Débora, que disponibilizará ambos já neste próximo semestre para escolas brasileiras.


Mais informações no site do Programa Soul.

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