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Por que o foco no comportamento e na velocidade de ação são essenciais para a evolução do mercado?

Delair Bolis é presidente da MSD Saúde Animal e do Sindicato Nacional da Indústria de Produtos para Saúde Animal (SINDAN).


AMANHECER DA NOTICIAS

A pandemia do novo coronavírus nos impôs uma série de restrições e a necessidade de adaptações. Por outro lado, este momento único nos tem permitido descobrir potenciais antes desconhecidos e nos afastou das maneiras usuais de agirmos anteriormente, contribuindo para a evolução do coletivo. Hoje, depois de alguns meses respeitando o distanciamento físico - como costumo dizer, pois não acredito que estamos em um distanciamento social -, me sinto muito mais desafiado, produtivo e, o mais importante, colaborativo.

Do ponto de vista de negócios, sabemos que a ascensão da pandemia impactou todos os setores, incluindo o de saúde animal. Mas temos tido evidências de que o Brasil segue preparado, por estar se reinventando e agindo frente às adversidades. Continuamos batendo recordes de produção e exportação de proteína animal, chegando a US$ 780 milhões em exportações de proteína animal em maio, com um acúmulo de US$ 3 bilhões em 2020! Além disso, o setor de animais de companhia também acelerou as vendas online, o home service e o rápido pick up nos pet shops. Estamos maximizando a nossa real percepção como essenciais para o país e para a sociedade.

Sabemos que esse segmento, além de assegurar o controle das enfermidades, tem um papel fundamental na sociedade no que tange ao bem-estar dos animais de companhia e suas famílias em casa, assim como manter a produção sustentável e com qualidade de alimentos de proteína animal na mesa dos consumidores. E é por isso que o agronegócio não parou, e a MSD Saúde Animal não pôde parar. Buscamos rapidamente alternativas para nos reinventarmos e poder acelerar a evolução desse cenário, continuando abastecendo o mercado, sem deixar de lado a saúde e segurança das pessoas envolvidas neste processo.  

A força de vendas e o time de escritório atuam em home office desde março e as fábricas, que ficam em Cruzeiro (SP) e em Montes Claros (MG), operam dentro das mais rigorosas normas de segurança desenvolvidas especialmente para esse momento. Paralelamente, agimos pensando em levar conhecimento a todos nesse período, investindo em ferramentas digitais. Realizamos nossa convenção de vendas, congressos técnicos e de marketing, eventos, treinamentos, reuniões e encontros no mundo virtual, e o resultado não poderia ser mais positivo.

Em maio, por exemplo, realizamos o MSD Insights, em que conectamos diversos profissionais do agronegócio e de saúde animal da América Latina, da Europa e da Ásia para trocar informações sobre o período que estamos vivendo. Imagine a riqueza de informações gerada neste evento! Foi muito proveitoso poder conversar, por exemplo, com a Ásia, que está a cerca de 62 dias na frente do que está acontecendo no Brasil. A troca de experiências, com certeza, está contribuindo para a tomada de decisões mais assertivas, aumento da capacidade e velocidade de resposta do setor e construção de um futuro ainda mais promissor. Construímos um programa de aceleração de retomada aos nossos clientes, juntamente com a StartSE. Além disso, as nossas metodologias usadas nos webinars Pet Talks, Vaaai Pecuária, Mulheres da Suinocultura, Innovax Consulting, Líder X, entre outras, viraram referência no mercado.

Agora, após cerca de três meses nos reinventando rapidamente, começamos a observar iniciativas públicas para que possamos ter uma retomada gradual de alguns setores. Acredito que todo e qualquer retorno do nosso time exige muito preparo. Na MSD Saúde Animal já trabalhamos em um plano tático para as funções essenciais e seguras. As pessoas, como sempre, são colocadas como prioridade. Aliás, criamos, desde o início da pandemia, uma estratégia que leva em consideração três pilares, que também estão nos guiando nesse momento: colaboradores, clientes e sociedade.  

Para colaboradores, o foco tem sido o cuidado e o acolhimento - manter a saúde física e mental das nossas pessoas e suas famílias é fundamental - e a educação voltada a prevenção. Esse é o momento de estarmos próximo das pessoas, por isso realizamos bate-papos semanais com todos os nossos colaboradores, seus familiares e nossos clientes. Aproveitamos o período para acelerar a consolidação de nosso departamento de estratégia e inovação, com contratações e promoções internas, reforçando assim nosso foco em fortalecer o futuro.

O mesmo mindset de cuidado e atenção foi destinado a clientes e parceiros. Além de disponibilizar cursos, mentorias e eventos virtuais com temas valiosos para ajudá-los na manutenção e recuperação do negócio, mantivemos o suporte a eles via ferramentas online, através de nossa MSD universidade, consultorias e visitas virtuais. Realizamos mensalmente mais de 6.000 atendimentos. Esse número caiu somente 4% em abril, recuperamos em Maio e estamos projetando que nosso número de atendimentos em Junho será superior ao que era antes do COVID-19. Naturalmente nosso tempo com o cliente caiu, mas aumentamos a produtividade e o foco no que realmente é importante para eles. Se gestão de tempo sempre foi sinônimo de produtividade, ela se tornou mais evidente nesse período.

Para a sociedade, temos promovido algumas iniciativas com foco em suportar as regiões em que estamos inseridos. Acredito que vale destacar a produção de 25.000 litros de álcool 70% feita pela nossa fábrica de Cruzeiro (SP), que por meio de doação, atendeu a diversas instituições de saúde de SP e MG.

Tais iniciativas só provam algo que acredito há muito tempo: precisamos ter a capacidade de inovar, de nos transformar ou, pelo menos, nos adaptar, baseados em troca de conhecimento e conectividade. E, mais do que isso: colocar em prática as ações que imaginamos. Acredito que temos o poder de implementar muitas coisas positivas, tudo depende da nossa atitude e protagonismo como líderes. Quanto mais tivermos humildade e capacidade de ceder em prol do outro, maior será nosso alcance na liderança.

Quando tudo isso passar, claro que teremos alguns desafios, mas cada um deles contribuirá para aquilo que já devia ser feito, mas estava parado por conta do comodismo. A chegada do novo coronavírus nos tirou desse patamar. A resiliência se fará necessária ao mercado e aos profissionais em geral, bem como a reinvenção de prioridades e acessibilidade, que nos trará um aumento na capacidade e velocidade de resposta. Vejam que incrível, diante das adversidades acabaremos encontrando melhoria e crescimento, não só profissional, mas principalmente, pessoal.

Sou um constante otimista. No mercado de saúde animal acredito que ganharemos mais competitividade, pois o Brasil é extremamente competitivo com as regras de sanidade que refletem na ótima qualidade da produção de alimentos, principalmente, proteína animal. Somos extremamente inovadores e uma referência em cuidados para animais de companhia. O mercado PET brasileiro é um dos que mais cresce no mundo, justamente por nossa paixão em cuidar.

Tenho escutado muito que 2020 já foi, já passou, mas não consigo ver assim. Não consigo acreditar nisso. Ao conversar essa semana com minha amiga após mais uma sessão de radioterapia, perguntei como ela estava, e a resposta foi: a vida nunca me deu a oportunidade de não ser forte! Pensei muito sobre isso. Quem trabalha no agronegócio sabe que nossa escolha é ser forte. A vida não me deu a opção de não acreditar que sempre podemos fazer e receber algo mais. De melhorar sempre! A vida sempre me deu a oportunidade de rever meus comportamentos, melhorar e me adaptar a cada novo desafio. Devemos pensar que estamos tendo a oportunidade de começar, por isso, vejo o pós-crise com a confiança de que alcançaremos a recuperação do setor, mas para isso precisamos aceitar que nosso comportamento precisará acompanhar essa velocidade e momento. 

Gosto de repetir sempre que depois de tudo isso, valorizaremos ainda mais as qualidades do nosso setor no Brasil, sairemos mais unidos, mais colaborativos, menos analógicos, mais digitais, e, principalmente, mais humanos. Vamos juntos. O novo normal está aí e nós já estamos tirando de letra.

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