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Ação solidária de cooperativas do Vale do Ribeira destina toneladas de alimentos a Banco de Alimentos da cidade de São Paulo

Equipe das cooperativas se mobiliza para doar alimentos aos menos favorecidos


POR AMANHECER DA NOTICIAS

Quem tem fome tem pressa". Sob este lema, a Cooperativa Central dos Produtores Rurais e da Agricultura Familiar do Vale do Ribeira (Coopercentral - VR), que congrega 12 organizações, entre cooperativas e associações, com sede em Santo André, na Grande São Paulo, fez três entregas, sendo a última realizada no dia 29 de abril, ao Banco de Alimentos da cidade de São Paulo - programa de abastecimento, segurança alimentar e nutricional da Prefeitura que atende entidades que acolhem população em situação de vulnerabilidade social e instituições assistenciais, as quais tiveram um grande aumento na procura.

"A escolha pelo Banco de Alimentos da Prefeitura de São Paulo se deu pelo fato de que a maioria das organizações já trabalha com a unidade, que possui um grande número de entidades cadastradas no município", explica Aline Marques, integrante do conselho fiscal da Coopercentral-VR, e também da Cooperativa dos Produtores Rurais e da Agricultura Familiar (Coopafarga), localizada no município de Juquiá, no Vale do Ribeira.

Ao todo, mais de 300 entidades cadastradas no programa poderão ser beneficiadas com produtos saudáveis e com alto teor nutricional, oriundos diretamente dos campos de centenas de pequenos produtores que cultivam a terra e a solidariedade, mesmo diante de um momento desafiador de insegurança econômica pelo qual estão passando no campo, com a queda na comercialização, por conta da pandemia e da necessidade de isolamento social. "Estamos muito agradecidos pelas doações das cooperativas do Vale do Ribeira, representadas pela Coopercentral, pois a demanda do nosso público aumentou muito e estes alimentos irão atender centenas de pessoas que estão em uma situação crítica e de déficit nutricional", agradece Joselice Santos, do Banco de Alimentos.

Na avaliação de Isnaldo Lima da Costa Junior, diretor financeiro da Coopercentral, na ação coordenada entre as diversas organizações, nota-se que os produtores não estão alheios ao que acontece fora de seu âmbito de atuação. "Neste gesto de solidariedade ao próximo, nosso objetivo é diminuir o impacto para quem se encontra em situação de vulnerabilidade social e insegurança alimentar, com a oferta de alimentos de qualidade. E isso, por meio do cooperativismo e da agricultura familiar, que é responsável pela grande parcela da produção de alimentos no mundo, motivo pelo qual, neste momento de caos que estamos vivendo, um setor que se torna ainda mais essencial, e precisa ser fortalecido cada dia mais, para continuar gerando renda, emprego, contendo o êxodo rural e combatendo a desigualdade social", afirma Isnaldo, ressaltando que a Secretaria de Agricultura, por meio do trabalho da CDRS e do Projeto Microbacias II, possibilitou o fortalecimento das organizações de pequenos produtores no Vale do Ribeira.

Uma corrente do bem: a economia pode e deve ser solidária
As doações foram recolhidas por uma "rede do bem", organizada por produtores e trabalhadores rurais nas pequenas propriedades. "Cada cooperativa iniciou um trabalho de ação solidária nos municípios em que operam e, juntas, conseguimos fazer duas entregas ao Banco. Nós começamos esta rede de uma forma pequena e singela. Tivemos situações em que pessoas chegaram dizendo: "Eu tenho uma caixa de mandioca, ajuda? Quando nos demos conta, tínhamos 1.800 caixas de alimentos como banana, abóbora, abacate, palmito pupunha, inhame, limão e outros, que formaram as 39 toneladas doadas", relembra emocionada Aline Marques.

De acordo com Aline, neste cenário de medo e incertezas, com ações como essa, os pequenos produtores reforçam os valores da chamada Economia Solidária. "Antes da pandemia, esses agricultores, que se uniram para doar, estavam com a venda de seus produtos garantida, com contratos ativos para o fornecimento de produtos para a alimentação escolar. Neste momento de calamidade, nossos produtores estão com esses produtos parados e em insegurança econômica, como tantos trabalhadores, mas entenderam que existe um risco maior: o das pessoas que estão em insegurança alimentar. O cooperativismo e a economia solidária nos ensinam a enxergar que o problema do próximo pode ser maior que o nosso".

Coopercentral-VR protocola pedidos para que as prefeituras continuem comprando dos pequenos produtores com recursos do PNAE

"Neste momento de aflição que os produtores estão passando, com drástica redução de renda, entendemos que as prefeituras devem continuar adquirindo produtos dos pequenos produtores, com base na lei n.º 13.987, de 2020, sancionada pelo PL 786/2020, que autoriza a distribuição de merenda escolar às famílias dos estudantes cujas aulas foram suspensas na rede pública, por conta da pandemia. Protocolamos um documento junto à Prefeitura de São Paulo, à qual se destina a maior parte da nossa produção, e estamos fazendo contatos com outras prefeituras, para que esta lei seja aplicada, pois nela vemos a possibilidade de passarmos de forma menos drástica por esta situação", afirma Aline, salientando que a Coopercentral tem todo esquema logístico de distribuição nas escolas. "Entendemos que a Prefeitura pode e deve cumprir esta lei, criando uma estratégia para o alimento chegar na casa das famílias, com implementação, por exemplo, de polos de distribuição, evitando aglomerações, organizando horários e entregas diferenciados".

Cooperativas e associações envolvidas foram fortalecidas pela Secretaria

"O acompanhamento técnico dos extensionistas da Secretaria de Agricultura, que atuam na CDRS, e os recursos do Projeto Microbacias II trouxeram grandes avanços para o Vale do Ribeira, permitindo que os agricultores familiares e as comunidades tradicionais ampliassem sua produção e otimizassem seus canais de comercialização. As organizações puderam melhorar a sua infraestrutura e os cooperados e/ou associados agregar valor à produção e, consequentemente, aumentar sua renda. "Além disso, proporcionou-se a recuperação da autoestima desses grupos, que passaram a participar de compras públicas e outros canais de comercialização, sendo hoje donos de seus negócios", opina Aline Marques.

De acordo com Antonio Eduardo Sodrzeieski, conhecido como ‘Mamute’, diretor da CDRS Regional Registro, que abrange os municípios do Vale do Ribeira, a Coopercentral nasceu no âmbito do Projeto Microbacias II, por meio do qual foram investidos mais de R$ 7 milhões na organização e no fortalecimento de cooperativas e associações de pequenos produtores, com infraestutura logística; aquisição de equipamentos, máquinas e veículos de grande e pequeno porte; construção de packinghouses, climatizadoras, aquisição de milhares de caixas plásticas etc.

"Ao lado do investimento em infraestrutura, trabalhamos conceitos de gestão em um amplo projeto local de assistência técnica e extensão rural, com reuniões de articulação, cursos de gestão das entidades, de manipulação e processamento de alimentos, entre outros. Em uma articulação com as entidades beneficiadas, nós, da Regional e do Núcleo de Registro do Instituto de Cooperativismo e Associativismo (ICA) - órgão da Coordenadoria de Desenvolvimento dos Agronegócios (Codeagro/SAA), discutimos a viabilidade de se criar uma entidade para otimizar a infraestrutura logística, ao invés de cada uma ficar tentando entregar pequenas quantidades, competindo entre si, e alcançar um mercado maior, como foi o caso da operacionalização de toda a merenda escolar da cidade de São Paulo e de outras na região de Itapeva e Sorocaba, por exemplo. Nasceu então a Coopercentral, gerida pelos próprios produtores, filhos e familiares, com um conceito elevado de profissionalismo", conta.

Sobre as doações, Mamute avalia que os pequenos produtores do Vale do Ribeira se relacionam em comunidade, haja vista o grande número de comunidades quilombolas que temos na região (das 26 reconhecidas no Estado de São Paulo, 23 estão localizadas na região), segmento no qual foram investidos mais de R$ 10 milhões pelo Microbacias II.

"Nos últimos anos, esses agricultores familiares se profissionalizaram, se tornaram empresários e se integraram ao mercado, mas com um entendimento diferente, tendo a solidariedade como conceito cultural enraizado há gerações, como instrumento de sobrevivência. Por isso, vejo nessas doações da Coopercentral o espírito solidário desses homens e mulheres do Vale forjados nas circunstâncias adversas, que também reconhecem o apoio recebido em tempos difíceis - e, por isso, têm um desejo de retribuição à sociedade, como foi o caso do Projeto Microbacias II, que possibilitou o investimento de recursos públicos, na forma de reembolso, para fortalecer suas atividades, gerando mais qualidade de vida nas comunidades", afirma o diretor.

Gilberto Ota, integrante da Coopercentral desde a sua formação e da Cooperativa da Agricultura Familiar de Sete Barras, corrobora esse pensamento. "O segredo de uma cooperativa de sucesso passa pela quebra de paradigmas e conceitos do senso comum. Desenvolvemos um cooperativismo que é específico para a nossa região, tomando como perspectiva a solidariedade. Existe a necessidade de haver a mescla da visão empresarial com a solidariedade. Algumas pessoas gostam de dizer ‘amigos são amigos, os negócios são à parte’. Para nós, a amizade é a consolidação do nosso negócio", conclui.

Organizações integrantes da Coopercentral-VR: Associação dos Bananicultores de Miracatu • Cooperativas dos Bananicultores e Agricultores de Miracatu• Cooperativa Mista Agroecológica de Vista Grande• Cooperativa dos Produtores Rurais e da Agricultura Familiar do Município de Juquiá • Cooperativa Mista dos Bananicultores do Vale do Ribeira • Cooperativa Agroecológica dos Agricultores Familiares do Vale do Ribeira e Litoral Sul• Cooperativa dos Agricultores Quilombolas do Vale do Ribeira • Associação Quilombo de Ivaporunduva • Cooperativa Agroindustrial Solidária • Cooperativa Agropecuária de Produtos Sustentáveis do Guapiruvu • Associação dos Agricultores Familiares do Município de Cajati • Cooperativa da Agricultura Familiar de Sete Barras.

Bancos de Alimentos & Agronegócio Paulista: uma combinação que pode salvar vidas

A necessidade de isolamento social devido à pandemia da Covid-19 vem criando desafios aos produtores rurais e a toda população, tanto no escoamento e venda dos produtos agrícolas como na garantia da segurança alimentar nas cidades. O desperdício de alimentos aptos ao consumo é uma prática reprovável, especialmente em tempos de incerteza, quando milhões de brasileiros sofreram redução ou perda total de sua renda.

A Secretaria de Agricultura e Abastecimento, na intenção de minimizar perdas, informar e fortalecer as ações sociais entre cidadãos, vem apresentar os Bancos de Alimentos do Estado.

Bancos de alimentos são entidades que tem por objetivo angariar donativos, doações de bens alimentares e a recuperação de excedentes e distribuí-los as populações carentes e ou vulneráveis,. O Estado de São Paulo conta com 42 bancos de alimentos.

Tradicionalmente os bancos de alimentos recebem doações do meio urbano, porém os produtores rurais vêm se mobilizando para que alimentos não sejam perdidos, estabelecendo contato com os bancos de alimentos.

Confira a lista com os contatos de alguns bancos de alimentos que atuam no Estado. Em caso de dúvida, entre em contato com o Conselho Estadual de Segurança Alimentar e Nutricional Sustentável (Consea-SP), através do e-mail: consea@consea.sp.gov.br

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