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A baixa produtividade da mão de obra no Brasil: interação entre Universidade e Indústria

O Brasil é um dos países campões da baixa produtividade, que, ano após ano, persiste em se manter em patamares muito aquém dos verificados nos países desenvolvidos.

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POR AMANHECER DA NOTICIAS

 Uma das causas principais, sempre levantada por pesquisadores e estudiosos do tema, é a educação, refletida no baixo nível de escolaridade e na má qualidade da educação do ensino básico e médio. A baixa produtividade traz consigo o achatamento dos salários e a proliferação de vagas de emprego de baixa qualificação. Isso é amplamente conhecido, porém a qualidade da educação do País persiste em permanecer nos últimos lugares no índice mensurado pelo Pisa, exame elaborado pela OCDE (Organização para o Desenvolvimento e Cooperação Econômica).

Além disso, há outra questão relevante que é o baixo nível de pesquisa e inovação no Brasil. Nossos índices de produção de patentes são muito baixos. A indústria, de forma geral, não realiza pesquisa, não procura inovação, não agrega cérebros (pesquisadores e profissionais altamente qualificados). Tradicionalmente a indústria viveu sob a proteção do Estado, com a imposição de barreiras tarifárias e um mercado cativo, livre da concorrência externa. Esse ambiente gerou uma acomodação, já que era mais fácil importar toda a linha e os processos de produção inovadores do que implantar uma área de pesquisa e inovação dentro da empresa.

O resultado que se observa nos dias atuais é um abismo entre Universidades e Indústria, que, salvo algumas exceções, não se comunicam e não interagem. Por isso, há fuga continua de cérebros do país, ou seja, formamos profissionais altamente qualificados com um enorme custo para os cofres públicos, que são utilizados como mão-de-obra qualificada em empresas no exterior, produzindo inovação que depois é vendida de volta para o Brasil. É um sistema realmente que maximiza o retorno para os outros (custo zero para a produção de talentos, além de agregação de valor ao produto vendido) a nossas custas. É um ciclo vicioso que insiste em não acabar. Além disso, há o custo do achatamento dos salários, já que uma das formas principais de se recuperar parte das perdas com a baixa produtividade é a redução dos salários. Assim vivemos em uma sociedade esquizofrênica, que é altamente capaz de produzir mão-de-obra de excelência, contudo não sabe o que fazer com ela.

A solução para o problema não é trivial, porém há algumas ações de curto prazo que podem fomentar um ambiente virtuoso. Por exemplo, o governo federal implantou o programa EMBRAPII (Empresa Brasileira de Pesquisa e Inovação Industrial) com o objetivo de fomentar a interação empresa-Universidade por meio da pesquisa e inovação, cujo reflexo, por exemplo, é o aumento da produção de patentes nacionais. No longo prazo, somente com uma educação de qualidade no nível básico é que será possível aumentar a produtividade, caso contrário, estaremos condenados a criar empregos de baixa qualificação no País com baixos salários, enquanto exportamos nossa mão-de-obra qualificada.

Thomaz Eduardo Teixeira Buttignol -- Engenheiro Civil; Mestrado na área de Estruturas; Doutorado pleno no exterior pelo Politecnico di Milano na área de Engenharia Estrutural; Professor de Estruturas de Concreto na Universidade Presbiteriana Mackenzie, CCT, Campinas-SP.

Sobre a Universidade Presbiteriana Mackenzie
A Universidade Presbiteriana Mackenzie está na 103º posição entre as melhores instituições de ensino da América Latina, segundo a pesquisa QS Quacquarelli Symonds University Rankings, uma organização internacional de pesquisa educacional, que avalia o desempenho de instituições de ensino médio, superior e pós-graduação. Possui três campi no estado de São Paulo, em Higienópolis, Alphaville e Campinas. Os cursos oferecidos pelo Mackenzie contemplam Graduação, Pós-Graduação Mestrado e Doutorado, Pós-Graduação Especialização, Extensão, EaD, Cursos In Company e Centro de Línguas Estrangeiras. Em 2020, serão comemorados os 150 anos da instituição no Brasil. Ao longo deste período, a instituição manteve-se fiel aos valores confessionais vinculados à sua origem na Igreja Presbiteriana do Brasil.


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