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Depois que Dória vetou o projeto que restringia ligações de telemarketing, deputado afirma que quer apresentar um novo texto sobre o tema

Barros Munhoz diz que está avaliando as sugestões das associações do setor para manter as chamadas até as 21h.

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POR AMANHECER DA NOTICIAS

O governador de São Paulo, João Dória, vetou o projeto de lei nº 614, de 2019, que havia sido aprovado pela ALESP (Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo) no dia 23 de outubro, limitando a realização de ligações - por empresas de telefonia móvel ou fixa -- entre 9h e 18h, de segunda à sexta-feira, para fazer oferta de produtos, serviços, cobrança e campanhas por meio telemarketing.

Agora que retornou à ALESP, o projeto deverá ser flexibilizado. O deputado Barros Munhoz, autor do projeto, avalia a sugestão das entidades do setor de manter as chamadas das 9h até as 21h. Também está em debate a proibição de contato aos sábados. Munhoz quer propor um novo texto sobre o tema, sem tentar derrubar a medida do governador.

O projeto de lei também estabelecia as seguintes regras para tais empresas: criar cadastro de usuário que possibilite a manifestação de interesse ou não à comercialização dos produtos e serviços ofertados; disponibilizar por meio telefônico ou outro, um canal direto do consumidor com a empresa; e disponibilizar identificador gratuito de chamada para o consumidor, proibindo a utilização de número privado.

De acordo com João Dória, o veto total ao projeto se justifica pelo setor já ter regras que resguardam, de modo satisfatório, o consumidor. Como a auto-regulação das Operadoras de Telecom, firmado junto à Anatel, o Probare (Programa Brasileiro de Autoregulamentação do Setor de Relacionamento existente desde 2005) e o projeto de lei 4.508 “Não Perturbe”. E, além disso, por entender que as consequências seriam prejudiciais no que tange à possível perda de empregos e de investimentos no Estado de São Paulo.

De acordo com o Sindicato dos Trabalhadores em Telemarketing, Sintratel, a proposta geraria impacto direto em mais de 250 mil empregos no Brasil (que é a metade do total de trabalhadores do país) e mais de 125 mil empregos só no Estado de São Paulo. E, ainda, considerando o estudo da LCA Consultores, que projeta um impacto indireto em 4 empregos por cada emprego perdido, a lei geraria desemprego em torno de 1,25 milhão de postos de trabalho direta e indiretamente no Brasil, mais de 625 mil postos no Estado de São Paulo, e também traria forte impacto sobre o consumo e sobre a atividade econômica.

“É necessário regular o setor, e medidas têm sido realizadas, mas impactar o país com geração de desemprego é muito preocupante. Há que se chegar a uma relação de boa convivência entre os consumidores e as empresas. Talvez criando fóruns de discussões e audiências públicas que debatam o assunto com responsabilidade”, pontua Marco Aurélio Coelho, Presidente do Sintratel.

“Esse projeto de lei não leva em consideração o fato de que a maioria da população brasileira está em horário comercial trabalhando até às 18h e necessita de um atendimento de telemarketing após esse horário, que é quando saem do trabalho e podem falar, não somente sobre venda e cobrança, mas também sobre agendamentos, visitas técnicas, entre outros serviços de interesse da população”, completa.

De acordo com Marco Aurélio, essa proposta é até uma contradição da ALESP em um momento em que o governo federal está buscando medidas para aumentar a contratação de jovens, como o Programa Verde Amarelo, lançado na última semana. Ele defende que o setor de telemarketing é uma das principais portas de entrada para o jovem ao mercado de trabalho no Brasil, já que 63% do contingente do setor é composto por jovens de 18 a 25 anos e o setor é o primeiro emprego para 45% deles (Fontes: RAIS/TEM (2015), Frost & Sullivan/2017).

Soma-se a isso, o apontamento da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicilio - Pnad - do primeiro trimestre deste ano, revelando que os jovens brasileiros estão sendo os mais afetados pela deterioração do mercado de trabalho. Nos primeiros três meses, 41,8% da população de 18 a 24 anos fazia parte do grupo dos subutilizados — ou seja, estavam desempregados, ou desistiram de procurar emprego. Em momentos de crise, a subutilização se agrava porque os jovens têm menos experiências e menor qualificação. E, com menos jovens entrando no mercado, sem contribuir para a previdência, poderá cair a contribuição para o sistema previdenciário, levando prejuízo ao sistema já deficitário.

Telesserviços pode ajudar retomada do crescimento econômico
De acordo com pesquisa da LCA Consultores, o setor de telesserviços tem uma alta capacidade de geração de renda e, para cada emprego direto gerado em telesserviços, outro emprego indireto é gerado na economia. Os multiplicadores de produção de telesserviços são maiores que os da agropecuária e que a média da indústria.



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