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Ainda aplicamos o fotoprotetor de maneira incorreta e isso aumenta os riscos de câncer de pele

Segundo dois estudos do ano passado, um britânico e outro nacional, fotoprotetor só é eficiente quando aplicado na quantidade correta, que, de acordo com pesquisa realizada em território nacional, 80% dos brasileiros não sabem qual é.

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POR AMANHECER DA NOTICIA

 Não é surpresa para ninguém que a melhor forma de prevenir o câncer de pele e os danos causados pela radiação solar é através do uso diário de fotoprotetor. Porém, ainda deixamos a desejar no quesito “como aplicar”, ou seja, a quantidade de produto está muito abaixo do necessário – e isso traz uma série de riscos para a pele. Segundo estudo britânico publicado ano passado na revista médica “Acta Dermato-Venereologica”, nos testes de fabricantes, é aplicada uma camada de 2 miligramas de fotoprotetor por centímetro quadrado de pele para alcançar o fator de proteção solar indicado na embalagem, mas o problema é que no dia-a-dia esta é uma quantidade complicada de ser medida e as pessoas acabam não usando. “Dessa forma, a grande maioria das pessoas aplicam apenas 0,75 mg de fotoprotetor por cm² de pele, ou seja, menos da metade da quantidade recomendada, o que diminui a eficiência do produto, nos deixando expostos aos danos da radiação UV, que incluem manchas, envelhecimento precoce e câncer de pele”, afirma Lucas Portilho, Pesquisador em Fotoproteção na Unicamp, consultor e pesquisador em Cosmetologia.

            Outro problema é visto com relação ao tipo de fotoprotetor. Uma pesquisa do ano passado do pesquisador Lucas Portilho afirma que alguns tipos de protetor solar não protegem a pele de forma eficiente, deixando o consumidor mais exposto à radiação dependendo do tipo de produto. “A proteção solar depende diretamente do tipo de fotoprotetor utilizado. Que o consumidor não tem nem ideia da quantidade de protetor que deve ser aplicada, isso já sabíamos; mas que as formas disponíveis no mercado variavam tanto na proteção contra radiação, isso é novidade”, afirma Lucas Portilho. No estudo, inédito no mundo, o pesquisador avaliou a proteção de seis diferentes tipos de fotoprotetores, todos faciais, sendo eles: pó compacto, fluido, bastão (stick), mousse, loção e pancake.

Mais de 100 voluntárias participaram da pesquisa. “Primeiro foi avaliada a quantidade real usada pelas consumidoras e, posteriormente, identificamos que a proteção solar está diretamente relacionada com o tipo de produto. Com exceção da loção facial, todos os outros veículos (tipos) apresentaram menos de 50% da proteção original, chegando em valores alarmantes, como o pó compacto, que apresentou 90% a menos de proteção”, afirma o pesquisador. As formas pancake e pó compacto foram as piores: “Não protegem nem contra raios UVB e nem contra raios UVA. As formas de bastão, mousse e fluido ficaram muito abaixo do valor declarado na rotulagem”, declara o pesquisador.

            O estudo foi feito utilizando as metodologias globalmente utilizadas e são as mesmas utilizadas pelas empresas antes de colocar o produto no mercado. “O problema é que antes de lançar qualquer protetor solar, as empresas testam o nível de proteção UVB e UVA, que são obrigatórios, mas durante esses testes, as quantidades utilizadas estão bem longe da quantidade real aplicada no dia-a-dia pelos consumidores. E elas não informam a quantidade correta para aplicação, então o resultado é uma falsa sensação de proteção”, afirma o especialista.

            De acordo com a pesquisa, no geral, as pessoas usam 0,15mg/cm² de um pó compacto com proteção solar, quando a recomendação de fotoproteção é de 2mg/cm². “E alguns produtos com FPS 30 proporcionaram na aplicação real um FPS 2”, acrescenta. “Ao aplicar de forma errada um protetor, o consumidor se acha apto para se expor ao sol; o que ele não sabe é que grande parte da radiação está passando e que o DNA da pele pode estar em risco, podendo levar ao desenvolvimento de câncer de pele”, diz o pesquisador.

            Mas, qual é a conduta que o consumidor deve seguir? Segundo o pesquisador, para garantir uma maior proteção, a primeira ação é utilizar fotoproteção na forma de loção. “Nunca utilizar protetor solar na forma de pó ou pancake como única forma de proteção. O protetor na forma de bastão, mousse e fluido somente se for com FPS acima de 50. O pó compacto e pancake podem ser usados apenas em conjunto a outros protetores, pois utilizados de forma isolada não protegem a pele”, diz. “Aqui no Brasil, pesquisa do Instituto de Cosmetologia e Ciências da Pele afirma que 80% dos brasileiros não têm a mínima ideia de qual a quantidade correta de protetor solar que deve ser aplicada. Isso é preocupante. No rosto, devemos aplicar o equivalente a uma colher de café cheia. No caso do corpo, o consenso é aplicar: uma colher de café no braço e antebraço direitos; uma colher no braço e antebraço esquerdos; duas colheres no torso (1 para a frente e 1 para as costas); duas colheres para a coxa e perna direitas (1 para a parte da frente e 1 para a parte de trás); e duas colheres para coxa e perna esquerdas (1 para a parte da frente e 1 para a parte de trás)”, finaliza.

FONTE: LUCAS PORTILHO - Consultor e pesquisador em Cosmetologia, farmacêutico e diretor científico da Consulfarma. Especialista em formulações dermocosméticas e em filtros solares. Diretor das Pós-Graduações do Instituto de Cosmetologia e Ciências da Pele, Hi Nutrition Educacional e Departamento de Desenvolvimento de Formulações do ICosmetologia. Atuou como Coordenador de Desenvolvimento de produtos na Natura Cosméticos e como gerente de P&D na AdaTina Cosméticos. Mestrando na Unicamp em Proteção Solar. Possui 18 anos de experiência na área farmacêutica e cosmética. Professor e Coordenador dos cursos de Pós-Graduação com MBA do Instituto de Cosmetologia e Ciências da Pele Educacional. Coordena Estágios Internacionais em Desenvolvimento de Cosméticos na Itália, França e Mônaco. Atua em desenvolvimento de formulações para mercado Brasileiro, Europeu e América Latina.

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