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Segundo melanoma primário aumenta o risco de morte, diz estudo holandês

Descobertas publicadas em junho no Jama Dermatology sugerem que pacientes com múltiplos melanomas devem ter vigilância mais completa a fim de evitar o risco de metástase e morte.

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POR AMANHECER DA NOTICIAS

 O melanoma é uma das formas de câncer que mais rapidamente aumenta em todo o mundo e é responsável pela maioria das mortes relacionadas ao câncer de pele. A sobrevida global para pacientes com múltiplos melanomas primários (sem evidências clínicas de metástase) foi 31% pior em comparação com aqueles com um único melanoma primário, de acordo com um estudo retrospectivo da Holanda. Analisando dados de cerca de 57.000 pacientes dos registros de câncer do país, descobriu-se que em 36,8% dos casos o segundo melanoma foi encontrado no primeiro ano de um diagnóstico inicial, enquanto 27,3% foram encontrados após 5 anos de acompanhamento. "As descobertas sugerem que as atuais estratégias de acompanhamento do melanoma precisam ser reconsideradas para pacientes com múltiplos melanomas primários", afirma a dermatologista Dra. Claudia Marçal, membro da Sociedade Brasileira de Dermatologia e da Academia Americana de Dermatologia.

            O estudo retrospectivo da University Medical Center Utrecht, da Holanda, e publicado no JAMA Dermatology em junho deste ano, analisou adultos com melanoma cutâneo primário invasivo diagnosticado na Holanda entre 2000 e 2014, com um acompanhamento médio de 75,1 meses. "Como os pacientes com múltiplos melanomas primários tiveram pior sobrevida do que os pacientes com um único melanoma primário na análise multivariável, acredita-se que um paciente, uma vez comprovadamente desenvolvido um segundo melanoma, pode se beneficiar de uma vigilância mais completa", afirma a médica. "O segundo melanoma pode ocorrer em qualquer parte do corpo e pode se desenvolver em uma parte completamente diferente do corpo desde o primeiro melanoma", diz a médica, observando que, se encontrado cedo, é completamente curável.

            Além do achado de aumento do risco de morte entre aqueles com mais de um melanoma, outro achado importante foi que os melanomas adicionais eram geralmente mais finos que o melanoma original. "Os melanomas mais finos são menos propensos a se espalhar para outras partes do corpo do que os melanomas mais grossos, por isso é importante encontrar melanomas precocemente, quando eles estão mais finos quanto possível", diz a médica. "Este artigo nos lembra da importância de exames regulares de pele para pacientes que tiveram melanoma".

Dados – Melanoma é o tipo de câncer de pele com o pior prognóstico e o mais alto índice de mortalidade. Segundo o Instituto Nacional do Câncer (INCA), apesar de não ser o mais frequente câncer de pele, no ano de 2018 são estimados 2.920 casos novos em homens e 3.340 casos novos em mulheres. Com relação ao câncer de pele não-melanoma, estimam-se 85.170 casos novos de câncer de pele entre homens e 80.410 nas mulheres para o ano de 2018. É por isso que você deve ficar atento aos sinais que aparecem no seu corpo.

De acordo com a dermatologista Dra. Claudia Marçal, embora a principal causa do melanoma seja genética, a exposição solar também influencia no aparecimento da doença — principalmente com os elevados índices de radiação que atingem níveis considerados potencialmente cancerígenos, onde ocorre exposição à radiação UVA/UVB E IR (infravermelho). "O filtro solar deve ser usado diariamente independentemente da estação do ano e se está num dia nublado, chuvoso ou encoberto; a radiação UV mesmo em um dia 100% encoberto, ela só é barrada em 30% e 70% dessa radiação passa", alerta a dermatologista. Esta fotoexposição, ao longo dos anos, pode gerar lesões novas ou modificar aquelas que já existiam previamente na pele de qualquer pessoa. Com uma exposição solar frequente, seja por lazer ou ocupacional, muitas vezes, as pessoas não percebem a medida da exposição ao sol silencioso no trabalho de campo, no dirigir ou andar na rua.

Diagnóstico Precoce — Embora o diagnóstico de melanoma normalmente traga medo e apreensão aos pacientes, as chances de cura são de mais de 90%, quando há detecção precoce da doença, segundo a SBD. "Por isso, a realização do autoexame dermatológico é necessária", explica a Dra. Claudia Marçal.

Autoexame — O autoexame deve ser realizado principalmente nas pessoas de pele clara, aquelas que possuem antecedentes familiares de câncer de pele, têm mais de 50 pintas, tomaram muito sol antes dos trinta anos e sofreram queimaduras. Quem tem lesões em áreas de atrito, como área da peça íntima, soutien, palma das mãos, planta dos pés e área do couro cabeludo, também deve seguir as instruções. A indicação também vale para as pessoas que apresentam muitas sardas e manchas por exposição solar anterior, já retiraram pintas com diagnóstico de atípicas, não se bronzeiam ao sol, e consequentemente acabam adquirindo a cor vermelha com facilidade e apresentam qualquer lesão que esteja se modificando. "Podemos realizar este procedimento com certa regularidade, uma vez por mês, na frente do espelho e de preferência com luz natural, para verificar o surgimento de alguma mancha, relevo ou ferida que não cicatriza", indica a Dra. Claudia Marçal. As dicas para o autoexame são:

Examine seu rosto, principalmente o nariz, lábios, boca e orelhas.
Para facilitar o exame do couro cabeludo, separe os fios com um pente ou use o secador para melhor visibilidade. Se houver necessidade, peça ajuda a alguém.
Preste atenção nas mãos, também entre os dedos.
Levante os braços, para olhar as axilas, antebraços, cotovelos, virando dos dois lados, com a ajuda de um espelho de alta qualidade.
Foque no pescoço, peito e tórax. As mulheres também devem levantar os seios para prestar atenção aos sinais onde fica o soutien. Olhe também a nuca e por trás das orelhas.
De costas para um espelho de corpo inteiro, use outro para olhar com atenção os ombros, as costas, nádegas e pernas.
Sentada (o), olhe a parte interna das coxas, bem como a área genital.
Na mesma posição, olhe os tornozelos, o espaço entre os dedos, bem como a sola dos pés.
De acordo com a dermatologista, este tipo de cuidado de rotina, principalmente para quem tem a pele muito clara e com muitas pintas, promove consciência e aguça o olhar sobre as lesões, aumentando a percepção de mudança ou seu crescimento. O passo seguinte, ou mesmo em caso de dúvida, é visitar o dermatologista.

Lesões preocupantes — Para saber se uma lesão é mais preocupante, normalmente é usada a regra do ABCD (área, borda, cor e diâmetro) sobre pintas com pigmentação. "Dividimos a lesão em quatro partes iguais e comparamos os quadrantes observando a simetria, avaliamos as bordas identificando irregularidade na forma de desenhos circinados, observamos a presença ou não de várias cores compondo esta figura e observamos se apresenta diâmetro acima de 6 mm", comenta Dra. Claudia. Quanto aos sinais clínicos, qualquer lesão que coce, doa ou sangre e que aumente de tamanho com rapidez ou apresente sensibilidade, precisa ser examinada por um dermatologista, que fará então uma dermatoscopia manual ou de preferência digital avaliando a necessidade da retirada cirúrgica.

Além de prevenir o surgimento do melanona, o autoexame, por ser uma avaliação em que o paciente começa a detectar precocemente lesões que apresentam sinais e sintomas diferentes dos habituais ou que estão crescendo, proporciona visitas precoces ao dermatologista que decidirá sobre o tratamento terapêutico em questão com chances maiores de cura. "Outra lesão que hoje é bastante comum, principalmente após a quinta e sexta década de vida são os carcinomas, tanto provenientes da camada basal, como da camada espinhosa da epiderme, que quando diagnosticados também com rapidez trazem 100% de cura ao paciente", informa a dermatologista.

Fonte: DRA. CLAUDIA MARÇAL - É médica dermatologista, membro da Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD), da American Academy Of Dermatology (AAD) e da Sociedade Brasileira de Cirurgia Dermatológica (SBCD). É speaker Internacional da Lumenis, maior fabricante de equipamentos médicos a laser do mundo; e palestrante da Dermatologic Aesthetic Surgery International League (DASIL). Possui especialização pela AMB e Continuing Medical Education na Harvard Medical School. É proprietária do Espaço Cariz, em Campinas - SP.

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