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Em visita ao Brasil, dançarinos canadenses desejam comunidades e escolas seguras e acreditam que a violência é o maior problema no Brasil

O grupo conheceu a realidade de violência e desigualdade que enfrentam as crianças e os adolescentes do Brasil e percebeu que a dança é uma oportunidade de manter afastados estes jovens dos perigos da rua e do mundo do crime

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POR AMANHECER DA NOTICIAS

Pesquisa realizada pela Visão Mundial, ONG focada na proteção de jovens e crianças em todo o mundo, com 3,8 mil estudantes entre 9 e 17 anos da rede pública, apontou, no mês de maio, que metade das crianças brasileiras não se sente segura nas escolas. A mesma percepção teve o grupo de dançarinos canadenses profissionais que visitou o Brasil em abril deste ano para conhecer os projetos da ONG Visão Mundial em Fortaleza.

Eles participaram de fóruns com os adolescentes e jovens assistidos pela ONG e realizaram workshops de dança para as comunidades locais. "No começo, eu estava bastante preocupado por causa da diferença de idioma. Mas, assim que entramos no ritmo, senti como se estivesse ensinando a minha própria turma de dança", disse um dos dançarinos que visitou o país.

A Visão Mundial promoveu o Festival de Dança Brasil Canadá, uma semana de workshops, trabalhos em equipe e apresentações com dançarinos dos dois países. O objetivo foi promover a troca de ideias sobre a importância da dança e cultura na superação da violência entre os jovens do Brasil e do Canadá. O mote da ação foi a Dança como estratégia de superar a violência.

Encantados com as belezas do Brasil e com o carisma com que foram recebidos, além da cultura rica e vibrante, o grupo teve ainda a oportunidade de conhecer a realidade de violência e desigualdade que enfrentam as crianças e os adolescentes do Brasil. "A dança pode ser um hobbie, uma profissão, uma forma de ganhar dinheiro ou até fama. Mas, aqui, muito mais do que isso, a dança é uma oportunidade de manter afastados estes jovens dos perigos da rua e do mundo do crime", apontou o grupo. Eles vivem em regiões onde gangues dividiram os territórios. Não é permitido ir de um lugar a outro e eles ainda enfrentam uma grande pressão para entrar no mundo do tráfico. Quando você está aqui e consegue ver em primeira mão tudo o que essas crianças enfrentam, você percebe o quanto é privilegiado", concluíram.

"Queremos garantir que as crianças debatam sobre a importância da arte no afastamento da violência. Trazer dançarinos brasileiros e canadenses para esta conversa garante uma troca de experiências mais concreta e capaz de refletir a realidade dos jovens e crianças de regiões em situação de vulnerabilidade social em Fortaleza", afirma Raissa Rossiter, diretora geral da ONG Visão Mundial no Brasil.

O vídeo mostra um resumo da viagem dos dançarinos canadenses no Brasil e seu lançamento, nesta segunda-feira (12/08) marca o Dia Internacional da Juventude. A data foi definida em 1999, na Assembleia Geral nas Nações Unidas, e tem como objetivo celebrar os jovens como agentes positivos de mudança que fornecem contribuições significativas à sociedade através da inclusão e da justiça social.

Cenário brasileiro x canadense

No Nordeste, estão os maiores índices de homicídios de jovens. Em 2008 foram 10.041, ultrapassando os 12.000 em 2012. "No Brasil, mais de 50% das mortes de jovens são causadas por homicídios. O perfil social dos adolescentes vítimas de homicídios é formado, sobretudo, por negros, pobres e moradores de periferias urbanas. Os dados refletem um fenômeno social sem precedentes." finaliza Raissa.

Entre os bairros que receberão os eventos estão Bom Jardim, Jangurussu, Santa Maria e Curió. Em 2017, Fortaleza ocupou o ranking das capitais brasileiras com maiores números de homicídios de meninos e meninas entre 10 e 19 anos (Mapa da Violência). O Comitê Cearense Pela Prevenção de Homicídios na Adolescência apontou que quase 50% desses homicídios ocorreram nas regiões Barra do Ceará, Bom Jardim e Jangurussu.

Os jovens em situações de vulnerabilidade social encontram nas expressões culturais formas de superar e violência e fortalecer suas identidades. Muitos grupos mantêm viva a memória de seus locais de origem com o objetivo de buscar por novas maneiras de compartilhar esses conhecimentos. A inserção nestes grupos culturais é muitas vezes o único caminho viável para que os jovens possam se fortalecer contra a violência. A realidade da juventude canadense é muito diferente da brasileira. Um exemplo disso é a taxa de homicídios no Canadá que, de acordo com o Statistcs Canada, é de cerca de 1,47 a cada 100 mil pessoas. Fortaleza, em 2017, ficou em sétimo lugar no ranking global, segundo a ONG Seguridad, Justicia y Paz, com uma taxa de 83,48 homicídios para 100 mil pessoas.



Sobre a Visão Mundial

A Visão Mundial Brasil integra a parceria World Vision International, que está presente em cerca de 100 países. No País, a Visão Mundial atua desde 1975, beneficiando 2,7 milhões de pessoas com projetos nas áreas de educação, saúde/proteção da infância, desenvolvimento econômico e promoção da cidadania. Seus projetos e programas têm como prioridade as crianças e adolescentes que vivem em comunidades empobrecidas e em situação de vulnerabilidade. Nesses 44 anos de atuação no Brasil, a Visão Mundial se consolida como uma organização comprometida com a superação da pobreza e da exclusão social. Para saber mais, acesse o sitevisaomundial.org

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